É verdade, é saudade, sim, e,
desejo, também
É o teu ritmo,
simples e, o feitiço do teu cabelo perfumado que ficou comigo desde aquele momento em que os nossos olhares, se cruzaram nas palavras que não dissemos, espontâneos, desarticulados, estrelados no suor momentâneo do pensamento sentindo o palpitar, despindo o batimento cardíaco sob a pele, cristalina
O tempo estende-nos um abraço quando nos tomamos de vagares, peregrinos, de cuidados especiais a sentirmos o êxtase dos itinerários, surpreendidos. Os teus olhos meigos ficaram dentro de mim. Quis o destino fazer uma barca cujo som das velas me ajuda a respirar a próxima página, escrevendo os nossos lábios, rebeldes, jovens em, estado creme, d´une inoubliable caresse... la lune... MEU AMOR
Os Teus Verdes, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Poemas Recolhidos de Vestidos de Regadio - Alberto Moreira Ferreira
Escapar
Um dia acordas submersa na escuridão
Temes a luz, e o mundo que aumentou
Não vais abrir as janelas, desmanchas-te
Pensas que partiste no derradeiro sono
Maio não ouve e - ao terceiro um cadáver chama por ti
Arrastas o dia por dentro para que a sombra não vença
Escondes os dois para que os outros não vejam
Mas depois escreves isto: A minha alma vive para
E a manhã seguinte alegra-se pela próxima
O negrume é como um vírus
Voltam a abrir-se as janelas
Verás quase um rio
Maldito chapéu
Escapar, 2011, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Temes a luz, e o mundo que aumentou
Não vais abrir as janelas, desmanchas-te
Pensas que partiste no derradeiro sono
Maio não ouve e - ao terceiro um cadáver chama por ti
Arrastas o dia por dentro para que a sombra não vença
Escondes os dois para que os outros não vejam
Mas depois escreves isto: A minha alma vive para
E a manhã seguinte alegra-se pela próxima
O negrume é como um vírus
Voltam a abrir-se as janelas
Verás quase um rio
Maldito chapéu
Escapar, 2011, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Eu Devia Ter Visto Esse Chuvisco
Nesse posto, de sombra
Do outro lado do pousio
O lugar onde ouvimos o fogo e ao ar
As sardas escurecendo sob o edifício
No cansaço do hóspede
Quando as pálpebras querem fechar
Com toda a dúvida do dia - Eu…
Sob o mar que nos toca:
Não podes fechar as flechas, curvas
Porque amanhã será ontem, e a luz
Ainda não acabou
Eu Devia Ter Visto Esse Chuvisco, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Do outro lado do pousio
O lugar onde ouvimos o fogo e ao ar
As sardas escurecendo sob o edifício
No cansaço do hóspede
Quando as pálpebras querem fechar
Com toda a dúvida do dia - Eu…
Sob o mar que nos toca:
Não podes fechar as flechas, curvas
Porque amanhã será ontem, e a luz
Ainda não acabou
Eu Devia Ter Visto Esse Chuvisco, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Roseira
Passo demoradamente pelo travesseiro na mesma praia roseira mar onde sempre deixo o escuro do quarto florir a céu estrelado. O tempo pára entre os nossos abraços, ida viagem à eternidade do infinito a iluminar o desejo das aves sob o luar dos lençóis, de faces rosadas, de texturas e nuances do mais puro linho recolhido das carícias dos nossos unificados corpos ciganos. O silencio pendurado não se cansa de me repetir a vontade que sinto de te escrever ainda hoje boca a boca todo o
Meu Amor
Roseira, 2010, in Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Meu Amor
Roseira, 2010, in Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
O Mais Estranho Endereço
Quando te encontrei amei-te de imediato
E não sabia, e sem saber senti que sentia
Continuei a sentir que te amava por gosto de sentir
Depois e depois e... sempre naquele jardim interno de violetas
Continuei a amar-te depois do auge dos nossos mundos
Senti dois pássaros, nenhum muro, dois poemas mais
E continuava a amar-te se me tivesses oferecido
A oportunidade de nos fazer felizes como as estrelas do souto
Como é a primavera ao acordar a natureza
Sobre todas as paredes adquiridas
Que mais não deixam que saudade de já não te ouvir dizer
Meu Amor
O Mais Estranho Endereço , in Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
E não sabia, e sem saber senti que sentia
Continuei a sentir que te amava por gosto de sentir
Depois e depois e... sempre naquele jardim interno de violetas
Continuei a amar-te depois do auge dos nossos mundos
Senti dois pássaros, nenhum muro, dois poemas mais
E continuava a amar-te se me tivesses oferecido
A oportunidade de nos fazer felizes como as estrelas do souto
Como é a primavera ao acordar a natureza
Sobre todas as paredes adquiridas
Que mais não deixam que saudade de já não te ouvir dizer
Meu Amor
O Mais Estranho Endereço , in Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Esse Olhar
Tens assim
Esse olhar tão
A corar-me labareda
Espasmos no maxilar
Suave por todo o meu ver
Na minha desperta ilusão
Que pena não ser pedinte
Pedia esse teu olhar subtil
A gravar-me como buril
Atear-me nu palpitar
Nu sentir assim
Esse teu; mar
Tão livre da razão
A sacudir-me regato
Madrugada afora
Esse Olhar, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Esse olhar tão
A corar-me labareda
Espasmos no maxilar
Suave por todo o meu ver
Na minha desperta ilusão
Que pena não ser pedinte
Pedia esse teu olhar subtil
A gravar-me como buril
Atear-me nu palpitar
Nu sentir assim
Esse teu; mar
Tão livre da razão
A sacudir-me regato
Madrugada afora
Esse Olhar, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
O Azeite Da Rosa Dos Ventos É Essa Rosa Laranja
Como é bom ver os pássaros a voar. E ver os nossos pombos conduzir os pólos geográficos ao mar no sossego das praias vestindo os segundos de algodão, só porque a música do teu violino é uma, primavera de estações, e este outono dourado é toda a terra onde o mar impera no principio de nós pelo fim, um passeio mais tranquilo. O fruto duma amêndoa quebrada não é apenas e só a mãe do arco-íris, é sobretudo a alegria de muitos relógios de barro, e amanhã as pontes
O Azeite Da Rosa Dos Ventos É Essa Rosa Laranja, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
O Azeite Da Rosa Dos Ventos É Essa Rosa Laranja, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Três Muros
O sol segredava insónias à escuridão
Refletia a luz disforme dos cisnes
Aprisionado a três muros de distância
À noite sonhávamos pérolas de água doce
Deitados, espírito sioux em dois flamingos
Voados no sono uno dos cegos
A manhã devolvia-me só do chão
Na ausência do gavião
E de um copo de sais de frutos
Três Muros, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Paulo Moreira Ferreira
Refletia a luz disforme dos cisnes
Aprisionado a três muros de distância
À noite sonhávamos pérolas de água doce
Deitados, espírito sioux em dois flamingos
Voados no sono uno dos cegos
A manhã devolvia-me só do chão
Na ausência do gavião
E de um copo de sais de frutos
Três Muros, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Paulo Moreira Ferreira
Reconhecido
Nunca pensei ir
Disse que não ia
E não ia mais importunar-te
Mas, à pressa nunca
Dizemos tudo
Obrigado pela honra
Por Junho que floresce
No sobrado - um dia
Quando pudermos abrir
O infinito
Quero que saibas
Que nesse sorriso descanso
Da tabacaria onde
O mel parecia de facto
Tal como o mar
Não existir
Reconhecido, 2012, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Disse que não ia
E não ia mais importunar-te
Mas, à pressa nunca
Dizemos tudo
Obrigado pela honra
Por Junho que floresce
No sobrado - um dia
Quando pudermos abrir
O infinito
Quero que saibas
Que nesse sorriso descanso
Da tabacaria onde
O mel parecia de facto
Tal como o mar
Não existir
Reconhecido, 2012, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Espantalho
Procuro-me no fundo do mar
Na fuligem dos corpos
Riscos e manchas são as minhas tranças
Passo a passo os pés descalços calcários
Eram a cores, as telas que sonhei
São amores o caos onde me procuro
Quero mais, muito mais
Os meus silêncios para me ter
Espantalho, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Na fuligem dos corpos
Riscos e manchas são as minhas tranças
Passo a passo os pés descalços calcários
Eram a cores, as telas que sonhei
São amores o caos onde me procuro
Quero mais, muito mais
Os meus silêncios para me ter
Espantalho, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Supernova
Somos ventos estelares nus pela lua nova
Sedentos de oxigénio processando a luz do génesis
Nos corpos em recifes de coral, entregues
Ao frenesim dos pássaros em beijos de praia mel
Vertendo os cálices para a sagração do amor
Imortalizando a cinza que nos baptizou, Mar
Supernova, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Sedentos de oxigénio processando a luz do génesis
Nos corpos em recifes de coral, entregues
Ao frenesim dos pássaros em beijos de praia mel
Vertendo os cálices para a sagração do amor
Imortalizando a cinza que nos baptizou, Mar
Supernova, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Os Patos da Ribeira de Abade
A ponte do Freixo compreende as margens. Maria Arminda desliza de vagares pelas águas. Ulisses aguarda, baloiçando na incandescência saltitante das estrelas agrupadas pela acalmia do douro. Senhora da Sorte e Estrela do Dia parecem de vigília, quase sempre no mesmo lugar. Noutras alturas a cidade desaparece sob nevoeiro flutuante que se abate sobre as margens e, tu estás aqui, num espaço superior entre os sentidos. Há barcas e barcos à pesca no rio. Hoje é Janeiro. Se reparares, junto ao cais das barreiras sito a pousada do porto há um edifício de quatro telhados cor-de-rosa preso a dois amarelos. Aqui os rituais do amor pertencem aos patos de penas verdes que vieram do parque biológico e são reais. Há gaivotas e gaivotas. Da harmonia vês a ponte
Os Patos da Ribeira de Abade, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Os Patos da Ribeira de Abade, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Sonho Em Papel de Cor
Podia ser folha de videira nas correntes quentes do mediterrâneo. Daria à costa fruto desabotoado de espinhos submerso no desejo dos peixes de chegarem a terra para se tornarem pétalas de íris em papel de cor. E seria o ribeiro que levaria os sonhos das aves de regresso ao interior das veias acariciar a pele humedecida do orvalho marítimo herdado dos rituais do amor em plena clareira primaveril. Eu seria o vento sul da praia seduzindo a graça dos mares que ofertaria às estrelas vestidas de azul despidas do céu para voltarmos a sorrir.
Sonho Em Papel de Cor, 2009, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Sonho Em Papel de Cor, 2009, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Apresentação do livro de poesia Vestidos de Regadio na Biblioteca Pública Municipal do Porto
Realizar-se-á no próximo dia 21 de Dezembro, às 18.30, no auditório da Biblioteca Pública Municipal do Porto (junto ao Jardim de São Lázaro), a apresentação do livro de poesia Vestidos de Regadio pelo professor Gabriel Magalhães.
2015/12/16
O Verde das Nossas Vinhas
Estava eu atirar poemas ao pé de um rio calmo
E todos se movimentavam em sentido contrário
Enquanto tricotavas uma camisola em croché
Então com gosto servi - uma taça, fresca
E à fresca ficámos entretidos a ver a bola
Sentindo uma presença no automóvel
E lá ganharam os azuis; Outra vez - Meu Amor
O Verde das Nossas Vinhas, Poemas 2012, in Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
E todos se movimentavam em sentido contrário
Enquanto tricotavas uma camisola em croché
Então com gosto servi - uma taça, fresca
E à fresca ficámos entretidos a ver a bola
Sentindo uma presença no automóvel
E lá ganharam os azuis; Outra vez - Meu Amor
O Verde das Nossas Vinhas, Poemas 2012, in Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Brisa Verde
T
u
és
o verão
e chegas-me
a oferta da lua e nós
dois fontanários de versos
arrumamos a noite pelo infinito
o teu corpo estende-me perfumes
a fragrâncias d´
a
m
o
r
.
.
.
não digas nada
açúcar é a brisa dos meus olhos
para que os dias sejam grandes
deixa-me sonhar
Brisa Verde, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Argola De Mola
Quando o cansaço soma
E caminhar à chuva dura
Onde jogas o destino se/não
Quando o lume prossegue
E a chama o encéfalo descobre
Onde pousa o quarto se/não
Quando não te vão buscar
E reduzido conduzes se/não
Onde te levantas se/não
Quando a cidade vai embora
E uma gaivota tem fome
Onde vais acreditar se/não
E quando os muros se abrem
E as artérias desobstruem
E o sangue passa se/não
Em qual aurora pausarias
Senão as pérolas da meia
[aos bêbados pel o vinho
à pausa da ma.dru.ga.da]
Argola De Mola, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Onde jogas o destino se/não
Quando o lume prossegue
E a chama o encéfalo descobre
Onde pousa o quarto se/não
Quando não te vão buscar
E reduzido conduzes se/não
Onde te levantas se/não
Quando a cidade vai embora
E uma gaivota tem fome
Onde vais acreditar se/não
E quando os muros se abrem
E as artérias desobstruem
E o sangue passa se/não
Em qual aurora pausarias
Senão as pérolas da meia
[aos bêbados pel o vinho
à pausa da ma.dru.ga.da]
Argola De Mola, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Equestre
No lugar onde foi cunhada a visão da serra
Só a corrente do mar não obedece aos sinos
Tão semelhante ao meu cadáver aqui ao pé
Os sinos alcançam o último lugar da terra
Talvez a órbita à volta da lua seja o âmbar
Onde repousam os meus olhos de granito
E a calvície flutue no próximo capítulo
Equestre, 2009, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Só a corrente do mar não obedece aos sinos
Tão semelhante ao meu cadáver aqui ao pé
Os sinos alcançam o último lugar da terra
Talvez a órbita à volta da lua seja o âmbar
Onde repousam os meus olhos de granito
E a calvície flutue no próximo capítulo
Equestre, 2009, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
A Casa De O Vinho: Estame
Amy; nenhuma esmeralda surge
Quando o lobo contempla a sua casa
Como uma criança ante o abismo
À noite sempre que o vinho não chega
Um lobo na sua loucura apressa o voo
Para um pássaro perdido do bando
Onde vai, o ínfimo oiro marchante
Da sua alma no mundo não cabe
E ele corre corre foge
A Casa De O Vinho: Estame, 2011, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Quando o lobo contempla a sua casa
Como uma criança ante o abismo
À noite sempre que o vinho não chega
Um lobo na sua loucura apressa o voo
Para um pássaro perdido do bando
Onde vai, o ínfimo oiro marchante
Da sua alma no mundo não cabe
E ele corre corre foge
A Casa De O Vinho: Estame, 2011, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Elegia
Desapareço sempre que um adeus acena
E cada vez mais um nada perene aumenta
E cada vez mais mortal na periferia fico
Apeado ao incêndio negro como mármore
Assobiando disperso expelindo a pedreira
Do armazém do meu copo sem lastro
Irremediavelmente roxo
Elegia, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
E cada vez mais um nada perene aumenta
E cada vez mais mortal na periferia fico
Apeado ao incêndio negro como mármore
Assobiando disperso expelindo a pedreira
Do armazém do meu copo sem lastro
Irremediavelmente roxo
Elegia, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Desta Cidade de Luz Dourada Ao Rock Rendez Vous
Jogávamos a cabra cega, longe de um olhar paterno
E nesse abandono cedo a fábrica dava horas de lado
Livres fazíamos bolas de fumo contra os flippers
Ouvíamos da boca do lobo em f m o direito à diferença
Além dos Xutos, na Cruz Vermelha, e depois do Nevoeiro
Amanhecíamos marinheiros à mesa do Big Ben
Isto quando permanecia-mos sob a luz dourada desta cidade em translineação pelo norte
Os portos queimavam, flutuava-mos na lendária sala da beneficência
E como por magia ainda hoje sorrio ao sul
Desta Cidade de Luz Dourada Ao Rock Rendez Vous, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
E nesse abandono cedo a fábrica dava horas de lado
Livres fazíamos bolas de fumo contra os flippers
Ouvíamos da boca do lobo em f m o direito à diferença
Além dos Xutos, na Cruz Vermelha, e depois do Nevoeiro
Amanhecíamos marinheiros à mesa do Big Ben
Isto quando permanecia-mos sob a luz dourada desta cidade em translineação pelo norte
Os portos queimavam, flutuava-mos na lendária sala da beneficência
E como por magia ainda hoje sorrio ao sul
Desta Cidade de Luz Dourada Ao Rock Rendez Vous, 2009, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Agora Posso Ir
Só tenho mais uma volta a dar
Uma última palavra, sem urgência
Urgente como nenhuma outra
A palavra vive e aprende do mel e tudo que faz
É o sal do mais fluido respirar
Agarrar-me nas margens do lago turquesa
Quando o meio-dia ocupa o lugar
Esse louro que te prende e gira
A coragem das serras, o prazer da lama
E em poros de mel descansam lírios
Este usa vestidos de regadio para
Livrar o sol da serra
Despir o vento, esperar
Integrar, integrar
Agora Posso Ir, 2009, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Uma última palavra, sem urgência
Urgente como nenhuma outra
A palavra vive e aprende do mel e tudo que faz
É o sal do mais fluido respirar
Agarrar-me nas margens do lago turquesa
Quando o meio-dia ocupa o lugar
Esse louro que te prende e gira
A coragem das serras, o prazer da lama
E em poros de mel descansam lírios
Este usa vestidos de regadio para
Livrar o sol da serra
Despir o vento, esperar
Integrar, integrar
Agora Posso Ir, 2009, In Vestidos de Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
O Balancé
Há um silencio ensurdecedor na marina
E nem o vigilante para de sangrar
Por cálice duma dormideira sobre um lençol húmido de barro
A mais de quarenta milhas do arco-íris sem dúvida confrontado
Com um automóvel de extrema fadiga
Faz frio, e surge o homem da colina, e não para de se alhear
Pleno de morfinas e insatisfação
E há delicadas paisagens e prefeitos vazios na auto elétrica
Melodias homónimas de novelos de sempre, acústicas mais...
Mal me queres, bem me queres
Mal me queres, bem me queres
Mal me queres, bem me queres
...
Querela
O transístor emite as maçãs dos pomares pendurados na torre Eiffel
Quando o espelho arroxeia, são como punhais as escarpas dos dedos
E tu resistes; o relógio bate mais como se lá estivesse para te ditar o fim
Acabas submerso nos seios de uma lua salina e o mundo parece desabar
O dia cai, escurece, uma gaivota chove mas a ave contracena só consigo
E meditas dobrada sob a sua madeira, e no regaço uma corda de joelhos
E contemplar os sinos é onde se perdem os pés e se diluem os ombros
Não queres resgatar a vista dispersa dentro de ti numa pilha de lenha
O silêncio é visceral, imponente, corrente de selos, no fundo ardemos
A tua noite escama, o dia foge da tua porta e a chuva, chove muito
Mas, tu podes sair dessa tela e libertar a ave, por quem esperas
Meu amor, ninguém finge mas é um absurdo motivar o abandono
Querela, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
Quando o espelho arroxeia, são como punhais as escarpas dos dedos
E tu resistes; o relógio bate mais como se lá estivesse para te ditar o fim
Acabas submerso nos seios de uma lua salina e o mundo parece desabar
O dia cai, escurece, uma gaivota chove mas a ave contracena só consigo
E meditas dobrada sob a sua madeira, e no regaço uma corda de joelhos
E contemplar os sinos é onde se perdem os pés e se diluem os ombros
Não queres resgatar a vista dispersa dentro de ti numa pilha de lenha
O silêncio é visceral, imponente, corrente de selos, no fundo ardemos
A tua noite escama, o dia foge da tua porta e a chuva, chove muito
Mas, tu podes sair dessa tela e libertar a ave, por quem esperas
Meu amor, ninguém finge mas é um absurdo motivar o abandono
Querela, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira
No Cruzamento das US-131
Envolvida a morada em silencios vestidos,
Escutas o quarto nas porcelanas do viajante,
Em frequência 98.9 (a) nos diques do luar nos dedos e,
O lençol dos nossos pastores conduzem o fogo ao exílio.
As raízes das nossas madrugadas caminham a--penas,
Quem as havia de seguir senão o desfile das estátuas.
O que me coordena o vinho é o caos dos meus sentidos,
Felizmente a nossa acústica descobre a electricidade,
Quem havia de morar connosco senão os sinos.
Hoje as nossas cores escorregaram nas redes,
O que havia de nunca chegar senão as casas:
Mas a ponte das nossas aves depois do sol,
Devolve nos aos ritos do mar e, este fogo,
Era tarde, a primeira lebre, o último do único bar,
E quem me havia de reinventar se não as estrelas
No Cruzamento das US-131, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014
Escutas o quarto nas porcelanas do viajante,
Em frequência 98.9 (a) nos diques do luar nos dedos e,
O lençol dos nossos pastores conduzem o fogo ao exílio.
As raízes das nossas madrugadas caminham a--penas,
Quem as havia de seguir senão o desfile das estátuas.
O que me coordena o vinho é o caos dos meus sentidos,
Felizmente a nossa acústica descobre a electricidade,
Quem havia de morar connosco senão os sinos.
Hoje as nossas cores escorregaram nas redes,
O que havia de nunca chegar senão as casas:
Mas a ponte das nossas aves depois do sol,
Devolve nos aos ritos do mar e, este fogo,
Era tarde, a primeira lebre, o último do único bar,
E quem me havia de reinventar se não as estrelas
No Cruzamento das US-131, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014
Está Alguém Aí
É tarde
E o silêncio
Rasgado das vozes
Baloiça
O eco vai
Vem
E torna a ir
Balança
Não luto
Luto
Verdadeiramente luto
Disléxico
Do negro, para o lado da rua
Eis a pedra
Não morro
Morro
Não, não fico quieto
Soluço
E os braços
O albatroz
Não sei porque me segura
É tarde
Tarde
Tão tarde
E esta tarde não ilumina o dia
Ou é a tarde
Tarde
Ou é esta noite que me enlaça
E eu não
Não me lembro onde pus a casa
Mas sei
Porque esqueci
É tarde
Tarde
Tão tarde
E eu não quero ir a outro nado-morto dia
Não vivo, vivo
É a tarde
Tarde
E desde que é noite que nada muda
A palavra emoldurada até à morte
Sorte, por tudo são devaneios
Calaram-se os cartazes
O chão sem fiador
O tempo subiu amorfo
Na penumbra estoirou a velhice
E na hora nada muda
Queria um tempo Humano também
E retorno à saudade
Adormecer nos versos
Outro dia
Até ser quente
Quente
Definitivamente
Quente
Está alguém aí
Está Alguém Aí, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014 - Alberto Paulo Moreira Ferreira
E o silêncio
Rasgado das vozes
Baloiça
O eco vai
Vem
E torna a ir
Balança
Não luto
Luto
Verdadeiramente luto
Disléxico
Do negro, para o lado da rua
Eis a pedra
Não morro
Morro
Não, não fico quieto
Soluço
E os braços
O albatroz
Não sei porque me segura
É tarde
Tarde
Tão tarde
E esta tarde não ilumina o dia
Ou é a tarde
Tarde
Ou é esta noite que me enlaça
E eu não
Não me lembro onde pus a casa
Mas sei
Porque esqueci
É tarde
Tarde
Tão tarde
E eu não quero ir a outro nado-morto dia
Não vivo, vivo
É a tarde
Tarde
E desde que é noite que nada muda
A palavra emoldurada até à morte
Sorte, por tudo são devaneios
Calaram-se os cartazes
O chão sem fiador
O tempo subiu amorfo
Na penumbra estoirou a velhice
E na hora nada muda
Queria um tempo Humano também
E retorno à saudade
Adormecer nos versos
Outro dia
Até ser quente
Quente
Definitivamente
Quente
Está alguém aí
Está Alguém Aí, 2010, In Vestidos de Regadio, 2014 - Alberto Paulo Moreira Ferreira
Subscrever:
Mensagens (Atom)